quinta-feira, 22 de outubro de 2026
CONSUMIDOR

Proposta sobre superendividamento ainda precisa passar por quatro comissões antes de votação final

Projeto apresentado pela deputada Yandra Moura cria programa nacional com renegociação de dívidas, moratória de 90 dias e ações de educação financeira; texto ainda depende de aprovação da Câmara e do Senado.
Proposta sobre superendividamento ainda precisa passar por quatro comissões antes de votação final
Foto distribuída pela Câmara dos Deputados - Consumidor

O Projeto de Lei 2112/26, que cria o Programa Nacional de Proteção às Famílias Superendividadas, ainda terá de ser analisado por quatro comissões da Câmara dos Deputados antes de seguir para o Senado. Para virar lei, a proposta também precisará ser aprovada pelas duas Casas do Congresso.

Apresentado pela deputada Yandra Moura (União-SE), o texto institui o chamado Programa Família Livre. A iniciativa reúne medidas de renegociação de dívidas de consumo, prevenção do superendividamento e recuperação financeira das famílias.

Medidas previstas

Entre as ações propostas está a criação das Câmaras Municipais de Renegociação de Dívidas, que deverão atuar na negociação de débitos de consumo. O projeto também estabelece uma moratória emergencial de 90 dias nas cobranças.

Outra regra prevista determina que contratos de crédito de consumo não poderão comprometer mais de 30% da renda familiar bruta mensal. A proposta não entrou em vigor e ainda será submetida à análise legislativa.

O programa inclui ainda a criação do Portal Família Livre. A plataforma teria um simulador financeiro e um canal para denúncias de práticas abusivas de cobrança.

Educação financeira

O projeto exige a inclusão de conteúdos de educação financeira em todas as escolas públicas de ensino médio. Segundo a proposta, a medida faz parte das ações de prevenção ao endividamento excessivo.

O texto é apresentado como complemento à Lei do Superendividamento e ao Código de Defesa do Consumidor. A divulgação da Câmara não detalha, porém, os procedimentos para aplicação do limite de 30% da renda, nem informa prazos para a implantação das estruturas municipais e do portal caso a proposta seja aprovada.

Justificativa e tramitação

Yandra Moura afirmou que o país enfrenta uma crise de endividamento familiar. De acordo com a deputada, 81,7 milhões de brasileiros estão com o nome restrito, número que representaria o maior da série histórica após 14 meses consecutivos de alta.

“Este projeto não é apenas uma medida técnica. É uma resposta de dignidade ao sofrimento das pessoas que acordam todos os dias sabendo que uma parte da renda que ainda não ganharam já pertence ao banco”, declarou a parlamentar.

O Projeto de Lei 2112/26 será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Educação; de Defesa do Consumidor; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. A aprovação pelas comissões não encerra o processo: para se tornar lei, a proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

Fonte: Câmara dos Deputados – Consumidor.

Foto distribuída pela Câmara dos Deputados – Consumidor