sexta-feira, 6 de novembro de 2026
CONSUMIDOR

Proposta sobre segurança bancária para idosos ainda precisa passar por duas comissões

Texto aprovado pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa prevê autenticação em dois fatores para operações atípicas de clientes com 60 anos ou mais; Banco Central deverá regulamentar a medida se ela virar lei.
Proposta sobre segurança bancária para idosos ainda precisa passar por duas comissões
Foto distribuída pela Câmara dos Deputados - Consumidor

A proposta que prevê autenticação em dois fatores para transações financeiras de pessoas com 60 anos ou mais avançou na Câmara dos Deputados, mas ainda não está em vigor. O texto foi aprovado pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa e seguirá para análise das comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

A medida está prevista no substitutivo apresentado pelo deputado Castro Neto (MDB-PI) ao Projeto de Lei 1453/26, de autoria do deputado Lucas Abrahao (Rede-AP), atualmente na suplência. Durante a votação no colegiado, o relator também incorporou uma emenda apresentada pela comissão.

Aplicação seria restrita a operações fora do padrão

De acordo com a versão aprovada, bancos e outras instituições financeiras deverão oferecer gratuitamente uma camada adicional de autenticação aos clientes idosos quando a operação for considerada incompatível com o perfil do usuário, o histórico de movimentações ou as análises de risco.

A exigência não seria aplicada indistintamente a todas as movimentações. O substitutivo estabelece que transações cotidianas e rotineiras não passariam pela verificação extra. O acionamento ocorreria de maneira seletiva e proporcional quando fosse identificada a atipicidade da operação.

Entre as situações alcançadas pela proposta estão transferências eletrônicas, pagamentos acima dos limites estabelecidos, contratação de crédito ou de novos serviços financeiros e alterações cadastrais relevantes. A autenticação em dois fatores funcionaria, nesse cenário, como uma etapa adicional antes da conclusão da operação.

Regulamentação dependerá do Banco Central

O texto atribui ao Banco Central a responsabilidade de regulamentar a medida. A instituição deverá disciplinar a aplicação da exigência caso o projeto avance nas demais etapas de tramitação e seja transformado em lei.

O parecer de Castro Neto relaciona a proposta à proteção de pessoas idosas contra golpes e fraudes, sem interferir na administração rotineira das contas. “O envelhecimento populacional brasileiro é um fenômeno consolidado e acelerado”, afirmou o relator.

Projeto ainda depende de novas votações

A aprovação na Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa representa uma etapa da tramitação, e não a aprovação definitiva da medida. O projeto ainda será examinado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para virar lei, a proposta também terá de ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. Até que essas etapas sejam concluídas, não há obrigação imediata para que as instituições financeiras ofereçam a autenticação adicional prevista no substitutivo.

Fonte: Câmara dos Deputados – Consumidor.

Foto distribuída pela Câmara dos Deputados – Consumidor