quinta-feira, 22 de outubro de 2026
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Riacho Fundo: como a região de Brasília mudou ao longo dos anos

A história do Riacho Fundo, em Brasília, passa pela ocupação rural, pela transferência de famílias nos anos 1990 e pela criação da Região Administrativa. Veja como a área mudou e o que existe atualmente.

A história do Riacho Fundo, em Brasília, reúne transformações urbanas, deslocamentos populacionais e a preservação de áreas rurais e ambientais. A região, que começou ligada às antigas fazendas Riacho Fundo e Sucupira, passou por mudanças importantes a partir dos anos 1990 e hoje conta com moradias, comércio, escolas, equipamentos públicos e espaços de lazer.

Para entender essa trajetória, é preciso diferenciar o Riacho Fundo I, oficialmente criado como Região Administrativa, do Riacho Fundo II, que se tornou uma unidade administrativa independente em 2003.

Da área rural à ocupação residencial

Antes da expansão urbana, a área era marcada por propriedades rurais e pela ocupação de terras às margens do Riacho Fundo. O nome da região está relacionado à antiga Granja Riacho Fundo, criada depois da inauguração de Brasília para abrigar uma vila residencial destinada a funcionários.

O território também teve importância institucional. A Granja sediou a Residência Oficial dos Governos Militares e, posteriormente, foi transformada no Instituto de Saúde Mental. Parte da área mantém características ambientais relevantes, com nascentes, córregos e vegetação nativa do Cerrado. (pdad.ipe.df.gov.br)

O crescimento nos anos 1990

A principal mudança ocorreu no início dos anos 1990, quando o Governo do Distrito Federal criou o Setor Habitacional Riacho Fundo dentro de um programa de reorganização urbana e transferência de famílias. A primeira quadra recebeu moradores que viviam no Acampamento da Telebrasília, localizado às margens do Lago Paranoá, além de famílias de outras localidades.

Em 15 de dezembro de 1993, a Lei nº 620 criou oficialmente a Região Administrativa do Riacho Fundo. A área, que anteriormente estava vinculada a outra região administrativa, passou a ter estrutura própria de gestão pública. (sinj.df.gov.br)

Por que o Riacho Fundo II se separou

O parcelamento do Riacho Fundo II foi criado em fevereiro de 1994 como parte do território do Riacho Fundo. Com o crescimento da ocupação e a necessidade de descentralizar o atendimento público, a área foi desmembrada em 2003 e passou a formar uma Região Administrativa independente.

Essa divisão ajuda a explicar por que Riacho Fundo e Riacho Fundo II são tratados como regiões distintas, embora tenham origem territorial e histórica relacionada.

Como é a região atualmente

A edição 2024 da Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios Ampliada estimou a população urbana do Riacho Fundo em 41.040 pessoas. O levantamento também mostra uma região com moradores de diferentes origens e tempo médio de residência de 13,1 anos na própria Região Administrativa. (pdad.ipe.df.gov.br)

Hoje, o Riacho Fundo reúne áreas residenciais, comércio e serviços. A região conta com escolas públicas, campus do Instituto Federal de Brasília, Unidade Básica de Saúde, terminal rodoviário, Feira Permanente e equipamentos de esporte, como skate park e Centro Olímpico e Paralímpico.

As principais ligações viárias são a Estrada Parque Contorno, conhecida como DF-001, e a Estrada Parque Núcleo Bandeirante, a EPNB. Para atividades ao ar livre, o Parque Ecológico do Riacho Fundo mantém áreas abertas à comunidade e um viveiro de espécies nativas do Cerrado. (pdad.ipe.df.gov.br)

O que mudou ao longo dos anos

Em resumo, o Riacho Fundo deixou de ser predominantemente rural e passou a funcionar como uma região residencial integrada à dinâmica urbana de Brasília. A expansão, porém, não eliminou completamente suas características originais: áreas agrícolas, instituições de pesquisa e espaços protegidos continuam fazendo parte da paisagem local.

Essa combinação entre urbanização, serviços e preservação ambiental é uma das principais marcas da transformação do Riacho Fundo ao longo das últimas décadas.