A história dos primeiros moradores de Brasília está diretamente ligada aos candangos, trabalhadores que chegaram de diferentes regiões do Brasil para participar da construção da nova capital. Antes de Brasília ser inaugurada, em 21 de abril de 1960, o território já reunia milhares de pessoas em acampamentos, alojamentos e núcleos urbanos provisórios.
Esses trabalhadores vieram atraídos pela oferta de emprego e pela possibilidade de melhorar as condições de vida. A construção exigia operários da construção civil, técnicos, motoristas, profissionais de saúde, funcionários administrativos, comerciantes e trabalhadores responsáveis pelos serviços básicos do novo canteiro de obras.
Quem eram os candangos
O termo “candango” passou a identificar os operários que participaram da construção de Brasília. Embora tenha sido usado inicialmente com sentido associado aos trabalhadores, o nome ganhou novo significado ao longo do tempo e se tornou uma forma de reconhecimento dos pioneiros da capital.
Os trabalhadores enfrentavam condições difíceis. O clima seco, a poeira, a lama durante o período de chuvas e a distância dos grandes centros urbanos faziam parte da rotina. Mesmo assim, a população cresceu rapidamente durante os anos de construção.
Segundo informações reunidas pelo Iphan, o número de trabalhadores na área do Distrito Federal passou de cerca de 500, em 1956, para dezenas de milhares nos anos seguintes. Na época da inauguração, Brasília já tinha uma população estimada em mais de 100 mil habitantes.
Os primeiros acampamentos de Brasília
Os primeiros moradores não viviam apenas no Plano Piloto, que ainda estava em construção. Eles ocupavam acampamentos criados para dar suporte às obras e atender às necessidades da população.
A Candangolândia surgiu em 1956 como o primeiro acampamento oficial da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil, a Novacap. O local reunia a sede da empresa, residências, posto de saúde, hospital, escola, restaurantes e posto policial. Inicialmente chamado de Vila Operária, o núcleo também ficou conhecido como Vila dos Candangos.
Outro núcleo importante foi a Cidade Livre, criada para oferecer comércio e serviços aos trabalhadores. O local se desenvolveu e deu origem ao atual Núcleo Bandeirante. Também foram formadas comunidades como Vila Planalto, Vila Metropolitana, Vila Paranoá e Vila Telebrasília.
Moradia, trabalho e vida comunitária
Os acampamentos tinham caráter provisório. A ideia original era desmontá-los depois da conclusão das obras, mas muitos moradores permaneceram no Distrito Federal. As comunidades criadas durante a construção desenvolveram relações próprias de vizinhança, comércio, educação, religiosidade e lazer.
Em alguns pontos, as moradias eram construídas com madeira, lonas e materiais reaproveitados. A estrutura urbana era simples, mas os núcleos reuniam equipamentos essenciais para uma população que crescia em ritmo acelerado.
O Hospital Juscelino Kubitschek de Oliveira, conhecido como HJKO, foi um dos principais equipamentos de saúde do período. O hospital funcionou entre 1957 e 1968 e recebeu trabalhadores e moradores da região. O local é considerado importante para a memória dos primeiros anos da capital.
Onde conhecer a história dos primeiros moradores
Quem deseja conhecer essa trajetória pode visitar espaços de memória espalhados pelo Distrito Federal. O Museu Vivo da Memória Candanga funciona no antigo conjunto do HJKO e reúne edificações históricas, fotografias, objetos e exposições relacionadas aos candangos e à construção de Brasília.
A página do Museu Vivo da Memória Candanga apresenta informações sobre o acervo e as atividades do espaço. O Roteiro dos Acampamentos Pioneiros do Distrito Federal, produzido pelo Iphan, também reúne referências sobre locais como Candangolândia, Vila Planalto, Núcleo Bandeirante e Vila Paranoá.
A memória dos primeiros moradores de Brasília não se resume às obras monumentais do Plano Piloto. Ela também está nas comunidades formadas pelos trabalhadores, nas famílias que permaneceram na região e nos espaços que preservam a experiência cotidiana de quem ajudou a transformar o cerrado na nova capital do Brasil.








