A seca de Brasília pode aumentar a ocorrência de problemas respiratórios porque combina baixa umidade do ar, calor, poeira, fumaça e maior concentração de partículas em suspensão. Nesse período, o nariz, a garganta e os pulmões ficam mais expostos a agentes irritantes, o que pode provocar desconforto em pessoas saudáveis e agravar doenças preexistentes.
O efeito é mais intenso quando a umidade relativa do ar cai para níveis muito baixos, condição frequente no Distrito Federal durante a estiagem. Alertas recentes emitidos para a região registraram índices entre 20% e 30% nas horas mais quentes, faixa associada ao ressecamento das mucosas e ao agravamento de doenças respiratórias crônicas, segundo informações divulgadas pela Agência Brasília.
Como o ar seco afeta as vias respiratórias
As mucosas do nariz e da garganta funcionam como uma barreira de defesa. Elas ajudam a reter partículas e contribuem para a eliminação de microrganismos. Com a falta de umidade, essa proteção pode ficar prejudicada. O ressecamento favorece irritação, formação de crostas, obstrução nasal, tosse, ardência na garganta e sangramentos no nariz.
De acordo com especialistas do Hospital Universitário de Brasília, a baixa umidade também aumenta a perda de água pelas vias respiratórias e pode comprometer as barreiras naturais do organismo. Em crianças, bebês e idosos, a atenção deve ser maior porque esses grupos podem ser mais vulneráveis à desidratação e às variações ambientais.
Poeira, fumaça e poluição agravam o quadro
Durante a estiagem, a ausência de chuva reduz a remoção de poeira e partículas do ar. A fumaça de queimadas, os gases dos veículos, o pólen e outros alérgenos podem permanecer em suspensão por mais tempo, especialmente em períodos de vento fraco e estabilidade atmosférica.
Essa combinação irrita as vias aéreas e pode desencadear ou intensificar sintomas de rinite, sinusite, bronquite e asma. Pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica, conhecida como DPOC, também podem apresentar piora da falta de ar, chiado e tosse. A baixa umidade não causa todas essas doenças, mas pode favorecer crises e tornar os sintomas mais intensos.
Quem precisa redobrar os cuidados
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com asma, rinite, bronquite, DPOC ou outras condições respiratórias devem evitar a exposição prolongada ao ar seco e à fumaça. Atividades físicas ao ar livre nos horários mais quentes e secos também podem aumentar o desconforto e a irritação das vias aéreas.
Entre as medidas recomendadas por órgãos de saúde estão beber água regularmente, manter os ambientes limpos e ventilados, evitar fumaça de cigarro e reduzir a exposição à poeira. A lavagem nasal com soro fisiológico pode aliviar o ressecamento, desde que o produto seja utilizado de forma adequada. Ambientes podem ser umidificados, mas aparelhos e recipientes devem ser higienizados para evitar a proliferação de mofo e microrganismos.
Quando procurar atendimento
Falta de ar, chiado intenso, dor no peito, lábios arroxeados, febre persistente, sonolência incomum ou piora rápida dos sintomas exigem avaliação médica. Pessoas que já usam medicação para doenças respiratórias devem seguir a orientação recebida no acompanhamento de saúde e não interromper o tratamento por conta própria.
Em caso de sintomas persistentes ou agravamento do quadro, a recomendação é procurar uma Unidade Básica de Saúde ou outro serviço de atendimento. Informações sobre os efeitos do tempo seco e os cuidados para proteger as vias aéreas também estão disponíveis no Hospital Universitário de Brasília e na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde.








