O Parque Nacional de Brasília é uma das principais áreas de preservação ambiental do Distrito Federal. Criado em 29 de novembro de 1961, durante o período de construção da capital federal, o parque nasceu com a missão de proteger os mananciais responsáveis pelo abastecimento de água, conservar a vegetação nativa e evitar a erosão dos solos. A criação ocorreu por meio do Decreto nº 241, assinado no início da década de 1960. (gov.br)
Conhecida popularmente como Água Mineral, a unidade de conservação combina proteção ambiental, pesquisa, educação e recreação em contato com a natureza. A proximidade com Brasília faz do parque um espaço de visitação acessível para moradores do Distrito Federal, mas sua função vai além do lazer: a área abriga nascentes, cursos d’água e diferentes formações do Cerrado.
Origem ligada à construção de Brasília
A história do parque está diretamente relacionada à implantação da nova capital. A região escolhida para Brasília possuía áreas de vegetação nativa e importantes recursos hídricos, que precisavam ser protegidos diante da expansão urbana e das obras de infraestrutura. Por isso, a criação do parque foi pensada como uma medida de conservação dos mananciais e de garantia do equilíbrio ambiental do território.
Em 2006, a unidade foi ampliada pela Lei Federal nº 11.285. Atualmente, o Parque Nacional de Brasília abrange áreas do Distrito Federal — incluindo as regiões administrativas de Brasília, Sobradinho e Brazlândia — e parte do município goiano de Padre Bernardo. A extensão aproximada é de 42.389 hectares. (gov.br)
Proteção das águas do Distrito Federal
Entre os elementos mais importantes do parque estão as bacias dos córregos que formam o sistema da represa de Santa Maria. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), esse reservatório responde por cerca de 25% da água potável que abastece o Distrito Federal. A preservação da cobertura vegetal e das nascentes contribui para a manutenção da qualidade e da disponibilidade dos recursos hídricos. (gov.br)
A unidade protege diferentes paisagens do Cerrado, como matas de galeria, veredas, cerradão, campos limpos, campos sujos, campos úmidos, campos rupestres e áreas de murundus. Essa variedade de ambientes favorece a existência de uma fauna diversificada.
Fauna, flora e paisagens do Cerrado
O parque funciona como refúgio para espécies raras ou ameaçadas de extinção. Entre os animais registrados estão o lobo-guará, o tatu-canastra, o tamanduá-bandeira, a jaguatirica, a anta e a onça-parda. Também são encontradas aves típicas do Cerrado, como a gralha-do-campo e o papagaio-galego. (gov.br)
A vegetação também apresenta espécies de relevância para a conservação, incluindo a canela-de-ema, a arnica e gramíneas protegidas dentro da unidade. A presença desses ambientes em uma área próxima à capital ajuda a preservar processos ecológicos e corredores naturais do Planalto Central.
Água Mineral e patrimônio histórico
As piscinas naturais Pedreira e Areal estão entre os atrativos mais conhecidos do parque. Elas integram a área de visitação chamada Água Mineral, que também conta com trilhas e espaços destinados à observação da natureza. A unidade possui ainda a área de visitação Cristal Água, com caminhos para caminhada, ciclismo, mirantes e contato com rios e poços.
Além dos valores naturais, o Parque Nacional de Brasília guarda sítios arqueológicos pré-históricos, com vestígios de até 11 mil anos, e estruturas relacionadas ao período colonial. O Circuito Histórico, inaugurado em dezembro de 2019, reúne placas interpretativas e um percurso voltado à compreensão da ocupação humana da região. (gov.br)
Assim, o parque reúne diferentes dimensões da história do Distrito Federal: a construção de Brasília, a proteção dos mananciais, a conservação do Cerrado e a presença humana anterior à capital. Dentro de uma área urbana em expansão, a unidade permanece como um dos principais espaços de preservação ambiental e memória do Planalto Central.





