sexta-feira, 23 de outubro de 2026
SERVIÇOS

Catetinho: o primeiro palácio construído para Brasília

Construído em apenas dez dias, o Catetinho foi a primeira residência oficial do presidente Juscelino Kubitschek em Brasília. Hoje, o edifício abriga um museu que preserva parte da história da construção da capital federal.

O Catetinho foi o primeiro palácio construído para Brasília e a primeira residência oficial do presidente Juscelino Kubitschek durante as obras de implantação da nova capital. Erguido em madeira no cerrado, o edifício funcionou como sede provisória do governo e tornou-se um dos principais símbolos dos primeiros anos de Brasília.

O prédio foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer em 1956, quando a cidade ainda estava em construção. A estrutura ficou conhecida inicialmente como Palácio de Tábuas, em referência ao material utilizado. A obra foi concluída em apenas dez dias, característica que refletia a urgência do projeto de transferência da capital para o interior do país.

Uma residência provisória para acompanhar as obras

Juscelino Kubitschek desejava acompanhar de perto o avanço da construção de Brasília. Naquele período, a região do futuro Distrito Federal ainda tinha infraestrutura limitada, com canteiros de obras, estradas em implantação e acampamentos de trabalhadores. O Catetinho ofereceu ao presidente um local de permanência e trabalho próximo às frentes de construção.

A inauguração ocorreu em 10 de novembro de 1956. Embora fosse um edifício simples e provisório, o Catetinho recebeu funções importantes no processo de criação da capital. O local serviu para reuniões, despachos e encontros relacionados à execução do projeto liderado por Kubitschek.

O nome Catetinho surgiu como uma referência ao Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, que era a sede do governo federal antes da inauguração de Brasília. A forma diminutiva indicava a dimensão mais modesta da construção, feita para atender a uma necessidade temporária no início das obras.

Arquitetura simples e soluções modernas

O projeto combina a rusticidade da madeira com elementos associados à arquitetura moderna. O edifício foi construído sobre pilotis, permitindo a circulação no térreo e conferindo leveza ao conjunto. A solução também aparece em outras obras de Brasília e se tornou uma marca da arquitetura modernista adotada na nova capital.

Apesar da aparência despojada, o Catetinho foi concebido para cumprir uma função institucional. Seus ambientes registram a rotina do presidente e de autoridades que passaram pela região durante o período de construção. O espaço também revela as condições materiais enfrentadas pelos responsáveis pela implantação de Brasília.

Primeiro bem tombado de Brasília

Em 1959, o Catetinho foi tombado pelo então órgão federal de preservação do patrimônio histórico e artístico, atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A proteção reconheceu a importância do edifício para a memória da construção da capital e para a história da arquitetura brasileira.

O tombamento ocorreu antes da inauguração oficial de Brasília, em 21 de abril de 1960. Dessa forma, o Catetinho passou a representar uma etapa anterior à cidade planejada por Lúcio Costa e construída com a participação de Niemeyer, dos trabalhadores e de diferentes equipes técnicas.

O Catetinho como museu

Atualmente, o edifício funciona como Museu do Catetinho. O acervo reúne móveis, fotografias, documentos, objetos e ambientes preservados, permitindo ao visitante conhecer aspectos da presença de Juscelino Kubitschek e da rotina dos primeiros anos de Brasília.

O museu também integra o conjunto de lugares que ajudam a contar a história dos acampamentos pioneiros e das primeiras estruturas criadas para dar suporte à nova capital. Mais do que uma antiga residência presidencial, o Catetinho permanece como testemunho material de um projeto político, urbano e arquitetônico que transformou o centro do Brasil.